Taiwan - 69 min - Cor
Idioma: Mandarim
Direção: Tsai Ming-Liang
O ponto de partida para o desenrolar de O Buraco (1998) é um vazamento de água, que proporciona uma curiosa relação entre dois vizinhos. Paralelamente ao vazamento e à constante ameaça da falta de água, existe a presença de uma epidemia, a princípio sem nome e sem origem, que faz com que os infectados rastejem e se escondam em lugares úmidos e escuros.
Os personagens (um homem e uma mulher) possuem uma vida tediosa e profundamente solitária. A montagem revela que ambos mantém os mesmos hábitos, e que os repetem diariamente, tornando suas vidas ainda mais insignificantes. Talvez uma das características mais interessantes que se apresentam, mesmo que implicitamente, seja a de que eles têm consciência de si, consciência do vazio ao qual fazem parte.Um buraco é aberto entre os apartamentos, com o intuito de consertar o vazamento, o que acaba modificando o cotidiano e colocando certo movimento em suas vidas. Não existe contato físico, nem conversas, nem interação. Mas o buraco existe, e enquanto estiver aberto haverá um vínculo entre eles.
Não é por acaso que o filme acontece em um prédio, símbolo da urbanização, local que reúne e separa uma grande quantidade de pessoas. Recurso também utilizado em Vive L'Amour(1994), O Sabor da Melancia (2005), I Don't Want to Sleep Alone (2006).
O envolvimento entre os personagens - relação inventada - ao final do filme acontece de forma mais intensa. A mulher parece infectar-se com o vírus, e é esse fato que motiva a manifestação de sentimentos, antes reprimida: o homem se desespera e chora. Ao assistir aos filmes de Tsai Ming-Liang, nota-se que eles giram em torno dos mesmos temas, contanto, inclusive, com os mesmos atores (como costuma ocorrer com grandes realizadores). De forma sutil, a cada novo filme ele reinventa-se sem sair da linha à qual se propôs. Sendo assim possível perceber como ele expressa sentimentos e constrói significados em elementos casuais.